Faça Feio
Flow
Faça Feio
Depois da aula de twerk da semana passada, eu ouvi umas conversas na área de convivência da Casa Fluxo sobre não fazer coreografia ou a aula coreográfica porque “não sabe” e algo sobre como a de fulana é tão bonita e a sua própria não. Foi a semana que eu fiz uma aula de pole zero com uma aluna que chegou verdinha, no seu primeiro dia, e tive a oportunidade de ser lembrada de uma regra da casa:
Comentários autodepreciativos custam dez flexões cada.
Acho maravilhoso, porque fazem a gente realmente pensar duas vezes se quer pagar flexão depois de já estar com os braços estropiados de se erguer e se sustentar na barra. Também acho que ajuda a ajustar tanto pensamento como comportamento e isso nos dá um dedinho de autoestima. Afinal, não está uma porcaria, se foi a primeira vez que você subiu na barra e fez um sit na vida. Ou depois de três meses parada. Ou três anos. Você entendeu. Ontem, nenhum sit foi feito. O que for feito hoje é sucesso.
A gente tem a tendência a se comparar com as outras pessoas, que estão sentando na barra a mais tempo que a gente ou possuem vivências outras que colaboram para a graça, beleza, fluidez, força ou seja lá qual for a característica que admiramos e vemos como faltantes em nós mesmas. Porém não temos a menor noção nem de como tal habilidade foi conquistada nem do que a outra gostaria de ter e acha que não tem, afinal cada experiência de vida, assim como cada corpo, é único.
Só que só existe um jeito de fazer o sit bonitinho, o giro perfeitinho, subir com classe lá encimão da barra e descer com ousadia: fazendo feio antes.
Na nossa busca pelo que achamos que é perfeição, pelo que vemos em corpos alheios e tomamos como parâmetro do que é “certo”, a gente ignora todas as quedas, crises e ronchas do processo, porque ele é feito nas sombras, no silêncio da prática cotidiana, da revisão, da repetição à exaustão. No encaixe de vários “feios”, mas que conversam entre si e vão sendo refinados, revisados e lapidados, é que a gente encontra o belo. O belo e o nosso, porque certos diálogos que promovemos entre um movimento e outro só sairia das nossas cabecinhas específicas.
Esse momento invisível permite que a gente se dê permissão. Erre, teste umas coisas nada a ver, caia, deslize e ria. Principalmente ria, pra lembrar a não levar tão a sério, também. É uma busca pelo que funciona para nosso corpo e um diálogo com ele, para atravessar os momentos difíceis sem prejudicar nem o físico nem o mental. É na escuridão dessa conversa interna que vamos baixando o volume do julgamento e criando um pacto com o “veículo” de carne que nos carrega vida afora. A gente pode até achar tudo horrível no início, desde que nos lembremos e reafirmemos para nós mesmas: “é apenas o início do processo”.
“Baby steps”, eu poderia dizer. Em passinhos de bebê, um a um, vamos diminuindo a autodepreciação e aceitando que é fazendo feio que a gente chega no bonito. Mas bebês não começam a andar de passinho em passinho. Eles parecem pequenos para a gente, que já deu tantos, mas os danados se jogam na vida, se lançam na jornada de caminhar já tentando uma corrida desenfreada. Não é bonito, mas é uma gracinha. E exige uma grande confiança.
Então, passinhos de bebê para nós: feios, desajeitados, mas determinados e confiantes de que o domínio do movimento virá e aí, vamos poder fazer com eles o que quisermos. Sermos belas e sensuais, graciosas, plenas e delicadas. Assustadoras, monstruosas e desafiadoras. Ou tudo isso junto.
Backhook
A Casinha foi palco de muitas beldades esses dias. Pra começar, teve o encerramento da coreografia da prof. Amanda, que foi babado:
E tivemos também ensaio fotográfico icônico da Eme Praia, com looks para a praia e o pole. Olha esse backstage:
Essa semana começou também a coreografia da prof. Júlia, hein? Tem parada de ombro? Tem parada de ombro. Tem um monte de gracinha acrobática? Tem um monte de gracinha acrobática. Mas eu sou cagona pra parada de ombro e afins e tô fazendo, então se marca nas próximas semanas, que vai dar bom!
Pra acompanhar cada detalhe, é só seguir o insta da Casinha! ;)
Pussyplatter
Na esteira da Festa Fluxo, temos HOJEEEEEE um belíssimo Fluxokê! Nesta sexta, dia 15, tem happy hour na Casinha logo depois da última aula!
Vai ter:
🎤 Karaokê improvisado (a prof Julia vai levar o projetor dela ✨)
🎲 Jogos, então quem tiver algum jogo legal pode trazer!
🍻 Cervejinha a venda!
💃 Palquinho, conversa, música e aquele clima gostoso da Casa Fluxo.
A entrada é livre e a presença é obrigatória, faltas apenas mediante atestado médico, hein?
Brincadeira, é momento da gente ser leve, livre e solta, levando migles ou apenas nossos corpinhos cantantes e dançantes. <3
Sobre a imagem escolhida para acompanhar este texto, acabei não encontrando nenhuma foto nossa (minha, que me enviaram ou do Acervo Casa Fluxo) com ninguém com cara de “isso não está dando certo” (apesar de ter uma figurinha com minha própria cara de “vou matar um” rodando por aí).
Achei essa arte para o figurino porque é muito esquisita e diferente do que a gente imagina para um balé! Não vemos o corpo ou poses que esperamos, tradicionalmente, de bailarinas, nem o tipo de vestimenta. As outras fotos mostram figurinos bem mais exuberantes do que nos acostumamos a pensar para bailarinas tradicionais, mas que possuem tudo a ver com a inspiração da composição. O que nos leva ao eterno questionamento filosófico: o que é o belo, afinal?

Além disso, dá para fazer a ponte com a figura da fênix mencionada lá no nosso primeiro texto:
Este é mais um espaço nosso. Se tiver um flow não-dançante para compartilhar conosco, avisa que a gente bota na fila. Qualquer coisa, é só chamar a Sam no zap!
Beijos desajeitados e até a próxima!



