Performática
Tal qual Tiaga e sua amiga, a gente nasceu para brilhar e ser estrelas na nossa cidade
Flow
Performática
Engraçado como “performance” é um negócio que eu gosto e desgosto tanto ao mesmo tempo. Primeiro porque o significado clássico de performance tem a ver com artes e quem não gosta de assistir um bom filme, ver um show bacana? Uma apresentação das colegas, amigas e artistas desconhecidas em palcos?
Até mesmo performar tem o seu gostinho, porque existe toda a criatividade envolvida em montar ou interpretar a performance. Cada ensaio desdobra mais um tantinho de confiança e de invenção da obra. A expectativa da hora de brilhar vem com uma chuva de hormônios, sentimentos e empolgações. E ansiedades, também. Acho que até a Fernanda Montenegro ainda deve sentir essa pontinha de ansiedade lá no fundo.
A apresentação em si é praticamente uma falha no tecido espaço-tempo! Como pode demorar tanto para chegar nossa vez e, ao mesmo tempo, nos chocarmos quando a hora finalmente chega? E, sob o holofote, parece que aquele momento vai durar para sempre, no entanto é inexplicável o quão rápido ele acaba. Sobra o coração acelerado, a adrenalina a mil, a memória de ter feito algo e uma mistura de emoções. Interrogação e exclamação vivendo juntas no mesmo segundo e mudando a inflexão do “eu consegui” no ritmo do pulso ainda descompassado. Parece uma doideira, mas o pior é que eu gosto. Surto, mas gosto. Ou seria “o melhor”?
Ao mesmo tempo, a palavra performance se espalha, em uma face menos luminosa, em palcos sem plateia, movidos por luz azul e alimentados por bits e bytes. Através da constância do online, estamos perpetuamente performando uma persona, uma faceta de nós mesmos que criamos sem nem pensar para interagir com todos esses avatares virtuais. Tomando-os como a inteireza, nossa e dos outros, sem considerarmos que é um véu bem bonito que tecemos apenas com as características que os outros vejam. Ou as que sejam adequadas ao ambiente.
A performance do cotidiano virtual não é necessariamente boa ou má. Quer dizer, depende. Você é uma influencer se fingindo de algo que não é para convencer os seguidores a gastar dinheiro que não têm apenas para encher o próprio bolso? Porque existe um certo mau-caratismo nisso aí, mas que não é exclusivo da Internet. É a nossa versão updated e upgraded (e upgringoed) do charlatão vendendo elixires mágicos feitos de pó de chumbo e cocaína.
Da mesma forma, as nossas personas não são criadas apenas para trocarmos memes no direct. A pole dancer corporativa não me deixa mentir. Quem me dera ir para a firma de macacão soltinho, tal qual uma aulinha de coreográfico, por exemplo, sem congelar nem ser tocada para fora. Do mesmo jeito, tais ambientes pedem uma contenção de certos comportamentos. Uma máscara social, que muda do escritório para a sala de aula, de novo com a família e mais uma vez naquele encontro com pessoas pouco conhecidas.
Pode ser que isso não faça o menor sentido para você, e eu seja apenas mais uma neurodivergente reclamando na Internet do mascaramento social obrigatório. Mas todo mundo faz isso um pouquinho (quem disser que todo mundo é um pouquinho TEA ou TDAH leva uma tamancada na cara), porque sempre somos vistos como frações de nós mesmos. E não é todo canto que aguenta o tranco da autenticidade alheia. O que acho que se aproveita disso é que podemos olhar para nossa vida e pensar nas personagens que vamos construindo naturalmente, porque super dá para transcrever para a dança.
Dá para pensar o que uma música, ritmo ou movimento evocam, como seria uma versão nossa dançando aquilo. Quem somos nós quando estamos de faca (simbólica) na mão ameaçando o dito-cujo de um parceiro caso ele nos traia, ao som de A Loba, de Alcione? Obviamente ela tem mais classe que eu e não ameaçou o dito-cujo de ninguém na canção… mas o que importa é esse exercício criativo. Essa transferência de performances para Performance.
Que momentos da vida podemos transformar através da criatividade? E quais músicas despertam partes novas, prontas para serem conhecidas e performadas?
Pussyplatter
Corpas bailantes, atenção!
Como eu falei no Pussyplatter lá do último texto, vai ter Festa da Casa Fluxo, sim! Se prepara, se monta, pratique seus girinhos e suas figuras, porque dia 25 de abril vamos todas ter o momento de brilhar na celebração! Surtar, sim, mas principalmente brilhar.
Já chama a Sam no whatsapp e diz a ela como vai ser, se vai ser de grupo, dupla ou solo, para ela ir montando o line-up das estrelas: (83) 99395-7649.
“Sou obrigada?” Não. [Olha para a cara da Marina.] É, é obrigada sim. #rysos Mas ó, não esquenta a cabeça. É um momento entre amigas, pra gente se divertir. Escolhe aquela música que você poderia dissecar sem enjoar, encaixa nela os movimentos que você gosta e bora ser feliz!
Ou você pode fazer como eu e ser louca, que eu escolhi (pela segunda vez seguida) uma música que é meu atual chiclete mental, porém totalmente descartável sem grandes tristezas e mete no meio um movimento que você quer dominar, já que vai passar uns bons dias repetindo ele.
Não importa muito… importa que a gente conta com a sua presença e quer te ver brilhar, que é para isso que nós somos feitas. Minha amiga Tiaga não me deixa mentir.
Backhook
Já que eu falei no texto da Loba, a gente realmente dançou! Olha o vídeo que fenomenal que ficou! Infelizmente não conta com minha participação por motivos de cólicas (essas malditas).
Não ficou belíssima? Nem vou mentir que já capturei alguns movimentos pra minha própria maratona de cardio, quer dizer, coreografia… Falando em mentiras, achei esse post fenomenal:
Quem não segue nóis no Insta tá perdendo…
Se você quiser compartilhar um flowzinho artístico não-dançante por aqui, é só chamar no probleminha! Para flows dançantes, estou doida pra te ver no dia 25 de abril!
Beijos performáticos, porém sinceros, e até a próxima!






